O Mapa Social

Mato Grosso é um dos estados brasileiros com maior diversidade ecológica e sociocultural do país. Nos domínios da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal coexistem povos indígenas de diversas etnias, comunidades quilombolas, povos ribeirinhos, seringueiros, pantaneiros, retireiros do Araguaia, extrativistas, agricultores familiares, povos ciganos, grupos de Siriri, Cururu e Dança do Congo, entre muitos outros. São grupos cujos modos de vida se constroem na relação direta com os territórios que habitam, onde cultura e natureza são dimensões indissociáveis.

Apesar dessa diversidade, esses grupos foram historicamente desconsiderados nos instrumentos de planejamento territorial e nas políticas públicas do Estado. O Mapa Social nasceu como resposta a essa lacuna.

Desenvolvido pelo Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA), vinculado à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e à Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), o projeto registra identidades, territórios e conflitos socioambientais a partir das autonarrativas dos próprios grupos sociais. A metodologia é participativa: cada comunidade nomeia a si mesma, localiza seu território e identifica os conflitos que enfrenta. Os dados produzidos revelam disputas por terra e água, desmatamento, queimadas, trabalho escravo, uso abusivo de agrotóxicos, extração ilegal de minérios e ameaças de morte, configurando um retrato sistemático das injustiças socioambientais que atravessam o Estado.

O projeto está em curso. Os mapeamentos locais continuam sendo realizados junto a comunidades e parceiros em diferentes territórios de Mato Grosso, atualizando os dados à medida que os conflitos se transformam e novos grupos demandam visibilidade. Esta plataforma é parte desse processo contínuo de registro, denúncia e fortalecimento das identidades que resistem nos territórios.

O Mapa dos Grupos Sociais

Quem habita Mato Grosso? A pergunta parece simples, mas esconde uma complexidade que os mapas oficiais raramente conseguem capturar. Em Mato Grosso existe um mosaico identitário vasto e heterogêneo, feito de grupos que se constroem e se reconstroem na relação com a terra, com a água, com a floresta, com os ciclos do Pantanal, com a ancestralidade e com as lutas do presente.

O Mapa dos Grupos Sociais de Mato Grosso vem sendo construído para dar visibilidade a esse mosaico. Para dar visibilidade as 47 etnias indígenas, mais 70 comunidades quilombolas, e tantos grupos distribuídos pelos territórios dos três grandes biomas do Estado. Cada identidade foi nomeada pelos próprios grupos, a partir de suas autonarrativas e autodenominações.

As identidades se tocam, se cruzam, se remodelam. Um seringueiro carrega a tradição, o labor e a resistência contra o desmatamento ao mesmo tempo. Um assentado pode ser também um militante do movimento negro. As identidades são fluidas porque a vida é fluida, e o Mapa dos Grupos Sociais respeita essa complexidade.

O mapa segue sendo alimentado por novos mapeamentos locais, realizados junto a comunidades em diferentes territórios de Mato Grosso. Porque identidades emergem, grupos se reorganizam, novos conflitos surgem e antigas lutas continuam. O retrato nunca está acabado. E é justamente isso que o mantém vivo e em constante atualização.

Grupos sociais
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O Mapa dos conflitos Socioambientais

Os territórios de Mato Grosso não estão sendo disputados em silêncio. Atrás das estatísticas de crescimento econômico que fazem do Estado uma das maiores fronteiras agrícolas do mundo, existe uma realidade que raramente aparece nos relatórios oficiais: comunidades expulsas de suas terras, rios contaminados, florestas queimadas, pessoas ameaçadas de morte, trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão. O Mapa dos Conflitos Socioambientais existe para que essa realidade não seja encoberta.

Os conflitos socioambientais são resultados de um modelo que concentra terra, água e poder nas mãos de poucos, enquanto impõe às populações mais vulneráveis os custos ambientais e humanos desse processo. Como afirmam os estudos de justiça ambiental, os danos ambientais não recaem sobre todos de forma igual: recaem de maneira desproporcional sobre os grupos que têm menos recursos políticos e econômicos para resistir.

Os dados mapeados revelam a dimensão desse cenário. A principal causa apontada pelos grupos sociais é a disputa pela terra, o que evidencia que o conflito central em Mato Grosso segue sendo o da dominação e da invasão de territórios historicamente ocupados por povos e comunidades que não estão inscritos na lógica do mercado.

Os conflitos mapeados cobrem um espectro amplo e interligado: desmatamento e queimadas que destroem as bases de vida de seringueiros e extrativistas; disputas por água que ameaçam pantaneiros e ribeirinhos; uso abusivo de agrotóxicos que contamina comunidades rurais e corpos d’água; extração ilegal de minérios em terras indígenas; ameaças sistemáticas a lideranças comunitárias que ousam resistir. Em cada ponto registrado, há uma história de enfrentamento entre modos de vida distintos e uma lógica econômica que os classifica como obstáculos.

Mapear esses conflitos é uma escolha política e pedagógica. Torná-los visíveis é condição para que possam ser debatidos e enfrentados. O mapa segue sendo atualizado à medida que novos conflitos emergem e os territórios se transformam.

Conflitos socioambientais
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Grupos Sociais

O Estado de MT possui uma intensa concentração fundiária e os acampamentos são expressões de resistência a este modelo implantado. Atualmente, acampados estão em mais de 500 acampamentos que lutam pela reforma agrária. De acordo com a coordenação estadual do MST/MT, somente neste movimento, são mais de 3.000 famílias buscando ser assentados. (SILVA, 2011)


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O camponês não trabalha, labuta — são palavras do filósofo Aristóteles. É nesta via que apresentamos os agricultores familiares, que também são chamados de camponeses, colonos, pequenos produtores familiares, trabalhadores rurais, entre outras denominações. Em Mato Grosso, este grupo está presente em diversos pontos do Estado.

Variando no tipo de produção agrícola, têm preferência por insumos com defensivos naturais e pelo controle biológico de pragas, numa prática agrícola que busca ser mais cuidadosa com o ambiente e com a saúde humana.

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No Brasil, as construções de barragens têm levado a desterritorialização de milhares de pessoas. Esses deslocamentos vêm alterando significativamente as vidas e os meios de subsistência de vários grupos sociais, povos indígenas e comunidades tradicionais. Em geral, os processos históricos destes empreendimentos vêm demonstrando que, os reassentamentos vêm sendo feitos sem respeito aos modos de vida dos grupos atingidos, os quais são deslocados em áreas que carecem de infraestruturas necessárias para manutenção de uma vida digna para essas populações.

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Os assentados estão localizados em diversos pontos do território de MT. Ao todo, temos 405 projetos de assentamentos oficializados pelo INCRA-MT. Há também alguns projetos que foram implantados pelo Instituto de Terras de Mato Grosso (INTERMAT). Os assentados são agricultores familiares que constroem seus significados e identidades, muitas vezes, por meio da economia solidária; geralmente vivem de agricultura de subsistência e se autodenominam como MST na luta identitária. Mas, há também, frentes de luta como o MPA, o MMC, etc.

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Os artesãos são homens e mulheres que estão presentes em todo o território matogrossense. Seus artesanatos, muitas vezes, são importantes referências culturais locais. Produzem artefatos de forma artesanal, tendo como base as mais variadas matérias-primas.

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A ocupação dos territórios em MT ocorreu primeiramente pelos rios. As águas dos rios eram os espaços de circulação antes da abertura das estradas e, ao longo destes leitos, foram formando?se várias comunidades que deram origem aos centros urbanos. Nessas margens, também, estabeleceram?se os povos ribeirinhos.

Associado a pesca, em geral, este grupo desenvolve uma economia de subsistência pelo cultivo de hortaliças, frutas, raízes e grãos. Alguns têm a economia complementada pelo extrativismo vegetal. O rio habita a identidade dessa gente que navega pelos caminhos das águas nesta imensidão do Estado, em particular, suas expressões de vida se organizam nas dinâmicas das cheias e das vazantes.

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Os povos ciganos em MT, recentemente, têm fixado seus territórios, mas ainda identificam-se como andarilhos. Segundo o pesquisador AZEVEDO SILVA (2009), os vários grupos ciganos possuem diferentes conhecimentos, cosmologias, olhares, visões de mundo e ensinamentos milenares. A educação cigana ocorre no bojo familiar e é tecida por narrativas orais de cunho mitológico. Ao manter tais tradições, evidencia-se uma educação entrelaçada ao meio-ambiente. Para eles, registrar os mitos é também conservar a memória e a identidade cigana.

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As atividades extrativistas são práticas de muitos povos em MT e estão espalhados por todo o território. Os produtos coletados são frutos, raízes, plantas medicinais, madeiras, resinas, óleos, látex, tintura, entre outros. Estes são utilizados com diversas finalidades, entre elas: alimentares, medicinais e/ou como matéria-prima para confecção de bens e de serviços (MACHADO, 2008). Os povos extrativistas podem ser desmembrados por meio de diversas identidades, relatamos aqui as evidenciadas pelas narrativas nos seminários de mapeamentos

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Os Morroquianos são moradores da Morraria no entorno da Estação Ecológica da Serra das Araras, próximo a Cáceres, Porto Estrela e Barra do Bugres. As comunidades de Taquaral, Água Branca, Bocaina, Santana, Nossa Senhora da Guia, Nossa Senhora do Carmo, São Sebastião, Guanandi, Exu, Vila Aparecida estão localizadas entre os vários morros, serras, bocainas, córregos (afluentes do rio Paraguai), chapadinhas e vales que fazem parte da Província Serrana. A origem das comunidades se dá com a divisão das sesmarias. Parte da área foi doada por João Ferreira Mendes e Pedro Ferreira Mendes, por volta de 1910, para a construção da igreja de Nossa Senhora do Carmo. Por isso, as terras são consideradas terras de santo.

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Seguindo os fluxos das águas, o Pantanal é um espaço em constante movimento, tendo sua paisagem alterada entre épocas de seca e de cheia. Entrelaçados com a beleza das diversidades biológicas, a região é habitada por um povo que apresenta características peculiares de convívio com a dinâmica das águas e se autodenominam de povos pantaneiros. Estes povos revelam saberes locais e trazem as mais variadas contribuições culturais ? comidas, danças, histórias, lendas, sotaques e tantas outras expressões que não poderíamos citar todas por sua abrangência. Todas as comemorações festivas relacionam?se com as religiões e há santuários em quase todas as casas, algumas vezes no sincretismo religioso (SATO et al., 2001).

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Os retireiros do Araguaia são pessoas que vivem em uma área úmida de beleza inigualável nas regiões de inundação do rio Araguaia, espraiando no verde do Cerrado
mato-grossense, entre as casas de palha e o cotidiano de lutas. Sua identidade advêm por retirarem o gado da área afetada pela cheia das águas, colocando-os em pastos de fazendas alugadas e devolvendo-os na seca, para que os novos ciclos se reiniciem. Este movimento dinâmico envolve membros das famílias e das comunidades em ritmo e pausa da organização social, ligada ao compasso da natureza e, em rede constituem a celebração da vida. Todavia, padecem na época da cheia, quando o gado vive em terras estranhas, extraindo a escassa economia dos retireiros.

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Incentivados pelas campanhas do governo brasileiro, os seringueiros enfrentaram o desconhecido da selva amazônica. As narrativas nos mostram que alguns deles chegaram aos seringais de MT, por volta de 1870. Nesta época, foram inúmeros conflitos entre os indígenas que ali residiam e os seringueiros que chegavam à região.

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Os Grupos de Siriri e de Cururu são fortes expressões populares da cultura mato-grossense. São tradições seculares de origem indígena que ocorrem nas comunidades rurais dos Pantanais e dos Cerrados. Estas danças têm a viola-de-cocho como elemento essencial. Este é instrumento musical singular, produzido exclusivamente de forma artesanal, utilizando de um tronco de madeira inteiriça, esculpida no formato de uma viola. Teve seus modos de fazer relatados no livro de registro dos saberes e, foi reconhecida como patrimônio cultural brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2005 (ROMANCINI, 2005; IPHAN, 2009).

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Atualmente, estima‐se que existam mais de 4.500 comunidades remanescentes no Brasil, tanto urbanas quanto rurais. E, até o momento, somente 1.418 delas foram certificadas pela Fundação Cultural Palmares (FCP)13 ligada ao Ministério da Cultura. Segundo a FCP, MT tem mais de 60 comunidades reconhecidas. (…) O reconhecimento destas comunidades é um processo dinâmico e reconhecemos que podem existir comunidades não registradas pela pesquisa. Assim, é relevante frisar que este estudo não se trata de um censo e nem mesmo de um levantamento exaustivo, mas de um panorama da situação atual, um retrato – ainda que temporário – das atuais Comunidades Quilombolas reconhecidas no Estado.

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Os povos indígenas formam um grupo muito representativo da diversidade sociocultural de MT. De acordo com Ricardo e Ricardo (2006), no Estado Matogrossense observam‐se 45 etnias localizadas em 78 terras indígenas, em diferentes fases de regularização. Número étnico ainda controverso, não só em função da ausência de registro, como de comunidades isoladas (além de outras não identificadas). Os dados do seminário acrescentaram o povo Canela/Apanyekra, originários do estado de Maranhão, que ocupam áreas na região do Araguaia mato‐grossense, nas proximidades com o rio Preto; embora reconhecidos pela FUNAI, esse grupo ainda luta pelo reconhecimento e demarcação de seu território. Também foram acrescidos os povos Krenak – Maxacalli, que vivem também na região do rio Preto, no município de Cana Brava do Norte, no Araguaia mato‐grossense. Portanto, chegamos a um registro de 47 etnias mapeadas nos territórios do Estado de MT (…).

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Conflitos Socioambientais

Nos processos de escuta durante os Seminários de Mapeamento Social, o desmatamento foi uma questão recorrente e incessantemente abordada, por afetar diretamente o modo de vida dos grupos sociais mato-grossenses. ?? apontado como uma forte mola propulsora de conflitos socioambientais acirrados pela manutenção da biodiversidade.

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A segunda causa propulsora dos conflitos socioambientais em MT (ficando atrás da disputa pela terra) relaciona-se a uma diversidade de lutas na disputa pela água, que representa 26,75% do universo das causas apontadas pelos grupos sociais. Esses conflitos são ações de resistência, em geral coletivas, que se apresentam de amplas formas, dentre as mais citadas estão: assoreamento dos rios e áreas degradadas; pesca e turismo predatórios; poluição hídrica, de esgoto e efluentes químicos; instalação de PCH, UHE e hidrovia e dominação particular e invasão de áreas com acesso à água (ou seja, a privatização).

Nas disputas relacionadas à água (agrupamos os impactos relacionados ao elemento água para discuti-los conjuntamente: assoreamento dos rios, poluição hídrica e empreendimentos como PCH e hidrovias).

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Neste mapeamento buscamos compreender a dinâmica contínua e recorrente que se inicia com a disputa por terra para dominação e controle da biodiversidade (habitat, riqueza de espécies e genes). Dominação que vem acompanhada de ações impactantes ao meio ambiente tais como: desmatamento, queimada, uso de agrotóxico, instalação de PCH e hidrovias, contaminação das águas e do ar etc, assinaladas como os motes dos muitos conflitos mapeados.

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No universo investigado nessa pesquisa, o uso abusivo de agrotóxicos é considerado um causa propulsora de conflitos socioambientais representando mais de 6% das fontes de conflitos em MT. Diversos grupos relataram as trágicas interferências no seu modo  de vida pelo uso do agrotóxico.  Além das interferências, entrar nessa arena é encarar o conflito com grandes multinacionais que dominam o mercado lucrativo, que está sob poder de apenas seis empresas controlando 67,8% da produção e comercialização: Syngenta, Bayer, Basf, Monsanto, Dow e Dupont (ROSSI, 2011, p.13).

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As queimadas são definidas como processos de queima de biomassa e podem ocorrer por razões naturais ou por iniciativa humana (FREITAS et al., 2005). Os impactos socioambientais decorrentes da prática das queimadas, sobretudo na região tropical, são motivos de preocupação em âmbito nacional e internacional.

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