{"id":916,"date":"2025-10-08T09:44:36","date_gmt":"2025-10-08T12:44:36","guid":{"rendered":"https:\/\/mapasocialmt.org.br\/site\/?page_id=916"},"modified":"2025-11-14T09:12:55","modified_gmt":"2025-11-14T12:12:55","slug":"disputa-por-agua","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/mapasocialmt.org.br\/site\/disputa-por-agua\/","title":{"rendered":"Disputa por \u00c1gua &#8211; Mapa Social MT"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"916\" class=\"elementor elementor-916\" data-elementor-post-type=\"page\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-35572c4 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"35572c4\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5d0ef94 e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"5d0ef94\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element 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class=\"elementor-icon-list-text\">Disputa por \u00c1gua<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/li>\n\t\t\t\t\t\t<\/ul>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-fbdf1fd elementor-widget-divider--view-line elementor-widget elementor-widget-divider\" data-id=\"fbdf1fd\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"divider.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-divider\">\n\t\t\t<span class=\"elementor-divider-separator\">\n\t\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c9b7faf elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"c9b7faf\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><em><strong>A \u00e1gua n\u00e3o ser\u00e1 a raz\u00e3o das guerras futuras,\u00a0mas, sim, est\u00e1 sendo objeto de uma guerra atual.<\/strong><\/em><\/p><p>Porto-Gon\u00e7alves<\/p><p>\u00a0<\/p><p>A segunda causa propulsora dos conflitos socioambientais em MT (ficando atr\u00e1s da disputa pela terra) relaciona-se a uma diversidade de lutas na disputa pela \u00e1gua, que representa 26,75% do universo das causas apontadas pelos grupos sociais. Esses conflitos s\u00e3o a\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia, em geral coletivas, que se apresentam de amplas formas, dentre as mais citadas est\u00e3o: assoreamento dos rios e \u00e1reas degradadas; pesca e turismo predat\u00f3rios; polui\u00e7\u00e3o h\u00eddrica \u2013 esgoto e efluentes qu\u00edmicos; instala\u00e7\u00e3o de PCH, UHE e hidrovia e domina\u00e7\u00e3o particular e invas\u00e3o de \u00e1reas com acesso \u00e0 \u00e1gua (ou seja, a privatiza\u00e7\u00e3o).<\/p><p>Os choques provocados nas disputas por este elemento s\u00e3o cada vez mais frequentes e tendem a se acentuarem no contexto de escassez e controle estabelecido nas rela\u00e7\u00f5es de poder assim\u00e9tricas que caracterizam o mundo contempor\u00e2neo. A domina\u00e7\u00e3o dos corpos d\u00e1gua se inscreve como fundamental para qualquer atividade.<\/p><p>O uso das \u00e1guas geram conflitos em raz\u00e3o da multiplicidade de valores e finalidades conferidas a este elemento. Uma terminologia que vem ganhando espa\u00e7o nos debates sobre a utiliza\u00e7\u00e3o mercadol\u00f3gica das \u00e1guas \u00e9 o hidroneg\u00f3cio, que, segundo Malvezzi (2005), n\u00e3o \u00e9 apenas um neologismo, a palavra tem a inspira\u00e7\u00e3o no agroneg\u00f3cio. \u00c9 a necessidade de criar uma express\u00e3o que abrigue todos os tipos de neg\u00f3cios que hoje surgem a partir da \u00e1gua e que \u00e9 conduzido de forma imposta e arbitr\u00e1ria como o agroneg\u00f3cio.<\/p><p>Considerada o ouro azul por representar um mercado lucrativo e promissor \u00e9 dominada pelo hidroneg\u00f3cio, e tem sido transformada em um bem econ\u00f4mico por uma vis\u00e3o mercantilista que aprisiona este elemento ao conceito de recurso h\u00eddrico, que gera riquezas e se torna essencial para os planos ambiciosos de desenvolvimento; seja na irriga\u00e7\u00e3o de grandes \u00e1reas, na constru\u00e7\u00e3o de empreendimentos para viabilizar a produ\u00e7\u00e3o de energia, no abastecimento dos centros urbanos e industriais, no escoamento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e, mais recentemente, nas atividades tur\u00edsticas.\u00a0<\/p><p>Para al\u00e9m de um recurso h\u00eddrico, a \u00e1gua encerra uma infinidade de valores que jamais podem ser taxiados pelo valor do mercado. [&#8230;] Tem todas as cores, sabores e odores que operam na sensibilidade imagin\u00e1ria ampliando nossa realidade (SATO, 2005, p.15). Para esta autora, a cosmologia ind\u00edgena, bem como mitos e lendas da sabedoria popular revelam que a \u00e1gua agrega valores da vida cotidiana, e, simbolicamente, carrega v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es bastante pr\u00f3ximas \u00e0s descobertas cient\u00edficas da sociedade contempor\u00e2nea.<\/p><p>Diante do exposto, nossa op\u00e7\u00e3o \u00e9 por utilizar a palavra \u00e1gua e n\u00e3o recursos h\u00eddricos, a palavra recurso \u00e9 associada ao valor econ\u00f4mico. Escolhemos atribuir a este elemento o valor da vida e n\u00e3o do mercado. O descompasso entre a concep\u00e7\u00e3o que confere apenas o valor econ\u00f4mico a este elemento e a outra que atribui valores simb\u00f3licos tem gerado in\u00fameros conflitos, principalmente no que tange o enfrentamento da concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e poder nas m\u00e3os dos grandes consumidores de \u00e1gua; e na exclus\u00e3o dos grupos sociais tanto no acesso \u00e0 \u00e1gua quanto nas tomadas de decis\u00e3o sobre as demandas, usos e conserva\u00e7\u00e3o deste bem vital.<\/p><p>Com 13,8% das \u00e1guas doces do planeta, o Brasil \u00e9 considerado um pa\u00eds rico, devido \u00e0 abund\u00e2ncia deste elemento. Al\u00e9m dos caudalosos rios, contamos com fartas \u00e1guas subterr\u00e2neas e somos o \u00fanico pa\u00eds de dimens\u00f5es continentais em que chove sobre todo o territ\u00f3rio nacional. Por raz\u00f5es \u00f3bvias as \u00e1guas brasileiras s\u00e3o objeto de cobi\u00e7a nacional e internacional (MALVEZZI, 2005). Todavia, nosso cuidado ambiental com esse valioso elemento \u00e9 desproporcional a esse privil\u00e9gio e esta concep\u00e7\u00e3o de abund\u00e2ncia da \u00e1gua tem trazido preju\u00edzos incalcul\u00e1veis, pois, al\u00e9m da quest\u00e3o do alto desperd\u00edcio, a \u00e1gua n\u00e3o est\u00e1 acess\u00edvel a toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Petrella (2003) afirma que existe uma ideia generalizada que o crescimento demogr\u00e1fico \u00e9 um dos fatores que est\u00e1 levando \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das reservas h\u00eddricas mundiais. Segundo este autor, esta \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o simplista, \u00e9 verdade que a \u00e1gua est\u00e1 escasseando, mas o motivo principal \u00e9 o modelo atual de utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, que \u00e9 absolutamente insustent\u00e1vel. Exemplo disso s\u00e3o a agricultura extensiva e a produ\u00e7\u00e3o industrial que absorvem enormes quantidades de \u00e1gua.<\/p><p>Com a pol\u00edtica de incentivo \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, os custos do uso das \u00e1guas, na maioria das vezes, n\u00e3o s\u00e3o computados na produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo. Quando se exporta soja, milho, alum\u00ednio e papel, h\u00e1 muita \u00e1gua sob a forma de gr\u00e3o que n\u00e3o est\u00e3o inseridos no valor do produto, essa n\u00e3o computa\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os gera as chamadas externalidades. Malvezzi (2005) enfatiza que no Brasil a irriga\u00e7\u00e3o est\u00e1 voltada para a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os, frutas para exporta\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m da cana irrigada para produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool e a\u00e7\u00facar. Produzir gr\u00e3os em territ\u00f3rio alheio \u00e9 poupar \u00e1gua no pr\u00f3prio territ\u00f3rio. De acordo com o autor citado, as t\u00e9cnicas pesadas como piv\u00f4s centrais, irriga\u00e7\u00e3o por sulco, consomem ainda mais \u00e1gua que a microaspers\u00e3o.<\/p><p>A humanidade ter\u00e1 que rever seu consumo de \u00e1gua para irriga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o existe \u00e1gua para que esse modelo de produ\u00e7\u00e3o continue ao infinito. Por exemplo, 1 quilo de soja produzida exige 1.000 litros de \u00e1gua, 1 quilo de frango exige 2.000 litros e 1 \u00a0quilo de carne de boi s\u00e3o necess\u00e1rios 20.000 litros (MALVEZZI, 2005). Isto significa que, quando o Pa\u00eds exporta gr\u00e3os e carnes, est\u00e1 tamb\u00e9m exportando grande quantidade de \u00e1gua. No entanto, para uma grande maioria de cidad\u00e3os mato-grossenses esses n\u00fameros n\u00e3o s\u00e3o considerados alarmantes e o discurso de escassez n\u00e3o sensibiliza, devido a equivocada ideia de abund\u00e2ncia.<\/p><p>As externalidades, na teoria econ\u00f4mica, s\u00e3o danos causados por algumas atividades a terceiros, sem que esses danos sejam incorporados no sistema de pre\u00e7os (ACSERALD, 1994, p. 129). Podemos citar, como exemplo, a polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas por agrot\u00f3xicos, merc\u00fario e chumbo que levam \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o da flora e da fauna, assim como da qualidade de vida dos seres humanos. Em outras palavras, os danos acarretados \u00e0 natureza e \u00e0s popula\u00e7\u00f5es atingidas, n\u00e3o s\u00e3o computados no sistema de pre\u00e7os desses produtos agr\u00edcolas e, muito menos, compensados.<\/p><p>Considerado divisor de \u00e1guas, o Estado encontra-se em posi\u00e7\u00e3o de destaque em rela\u00e7\u00e3o aos bens h\u00eddricos, uma vez que o complexo de \u00e1guas mato-grossenses congrega tr\u00eas regi\u00f5es hidrogr\u00e1ficas brasileiras: a Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai, com \u00e1rea de 176.800 km2, que abrange 19,6% da superf\u00edcie estadual; a Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica Amaz\u00f4nica, com 92.382 km2, que ocupa 65,7% do territ\u00f3rio; e a regi\u00e3o Tocantins-Araguaia, com 132.238 km2, que corresponde a 14,7% da superf\u00edcie do Estado (BRASIL, 2006). \u00a0Al\u00e9m disso, uma grande por\u00e7\u00e3o das bacias da regi\u00e3o Centro-Oeste tem suas nascentes em terras mato-grossenses. Essas caracter\u00edsticas, por si s\u00f3, j\u00e1 seriam suficientes para se dedicar aten\u00e7\u00e3o especial ao Estado quanto \u00e0 \u00e1gua.<\/p><p>Entre a abund\u00e2ncia e a escassez o que ganha relevo \u00e9 a injusti\u00e7a ambiental em MT, pois, embora sendo um Estado rico em \u00e1gua, a mesma n\u00e3o est\u00e1 acess\u00edvel a todos os cidad\u00e3os. Existem diversos assentamentos de pequenos produtores rurais, comunidades quilombolas e pantaneiras que convivem com s\u00e9rios problemas de disponibilidade de \u00e1gua pot\u00e1vel. A \u00e1gua existe, mas n\u00e3o est\u00e1 distribu\u00edda de forma equitativa para os grupos sociais, est\u00e1, muitas vezes, centrada nas m\u00e3os de poucos, formando assim uma trama de rela\u00e7\u00f5es e interesses que vincula os conflitos que permeiam a domina\u00e7\u00e3o das terras aos conflitos da privatiza\u00e7\u00e3o das \u00e1guas.<\/p><p>Compreender que \u00e1gua \u00e9 um meio de produ\u00e7\u00e3o t\u00e3o indispens\u00e1vel quanto a terra \u00e9 essencial. Essa dura realidade da escassez de \u00e1gua \u00e9 deparada tamb\u00e9m em v\u00e1rias localidades do mundo, segundo o Relat\u00f3rio de Desenvolvimento Humano (PNUD, 2011), cerca de 1,1 bilh\u00f5es de pessoas j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, quadro que s\u00f3 tende a se agravar. De acordo com este Relat\u00f3rio as pessoas mais desfavorecidas suportam um duplo fardo de priva\u00e7\u00e3o. Para al\u00e9m de serem mais vulner\u00e1veis aos efeitos vastos da degrada\u00e7\u00e3o ambiental, fazem face tamb\u00e9m \u00e0s amea\u00e7as ao seu ambiente provocadas pela polui\u00e7\u00e3o do ar, da \u00e1gua contaminada e do saneamento deficiente, refor\u00e7ando assim cen\u00e1rios de injusti\u00e7as ambientais por todo o globo.<\/p><p>\u00c9 fato tamb\u00e9m que, a escolha dos locais de instala\u00e7\u00e3o dos empreendimentos impactantes, est\u00e1 estritamente ligada a uma quest\u00e3o de injusti\u00e7a ambiental. O capital comumente escolhe espa\u00e7o em que a rentabilidade possa ser maior e instala-se em \u00e1reas habitadas por popula\u00e7\u00f5es de baixa renda que ter\u00e3o mais dificuldades em recorrer aos seus direitos. Concordamos com Carneiro (2005, p. 37), quando nos afirma que a din\u00e2mica da distribui\u00e7\u00e3o espacial da degrada\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 presidida, portanto, pela l\u00f3gica da rentabilidade que rege a economia mundial de acumula\u00e7\u00e3o de riqueza. Este autor cita um exemplo bastante ilustrativo desta quest\u00e3o, o depoimento do economista do Banco Mundial Lawrence Summers, que defende a localiza\u00e7\u00e3o das atividades que causam maiores impactos ambientais nos pa\u00edses pobres, afirmando que, sendo os sal\u00e1rios mais baixos nesses pa\u00edses menores, ser\u00e3o tamb\u00e9m os custos de dias pagos e n\u00e3o trabalhados por motivo de adoecimento dos trabalhadores em raz\u00e3o da deteriora\u00e7\u00e3o ambiental provocada pela atividade da empresa.<\/p><p>Em v\u00e1rias localidades os conflitos v\u00eam se acentuando em virtude dessa discrimina\u00e7\u00e3o e imposi\u00e7\u00e3o do capital na escolha desses locais. Segundo as informa\u00e7\u00f5es da CPT (2011), neste ano houve um crescimento de 93% de conflitos em fun\u00e7\u00e3o do uso da \u00e1gua no Brasil. Em MT, outra causa pulsante dos conflitos s\u00e3o as propostas de instala\u00e7\u00e3o de hidrovias citadas pelos grupos sociais presentes no Pantanal, impactados pela proposta da hidrovia Paraguai-Paran\u00e1, e pelos grupos do Araguaia, afetados pela proposta da hidrovia Araguaia-Tocantins.<\/p><p>As tentativas de privatizarem as \u00e1guas mato-grossenses s\u00e3o in\u00fameras. Com o intuito de restringirem o acesso e o uso dos corpos d\u00e1gua em MT, ganham destaques as PCH e UHE que v\u00eam proliferando em v\u00e1rias RP. As regi\u00f5es que mais apresentaram essa quest\u00e3o como um grave problema e uma fonte motivadora de conflitos s\u00e3o as RP 03 e 07. Como essa quest\u00e3o \u00e9 extremamente pulsante consideramos importante abord\u00e1-la com mais profundidade.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>A gera\u00e7\u00e3o de energia h\u00eddrica e os impactos socioambientais<\/p><p>\u00a0<\/p><p>As instala\u00e7\u00f5es dos empreendimentos como as PCH e as UHE refor\u00e7am as situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7as ambientais, instigam a viol\u00eancia e as expropria\u00e7\u00f5es dos territ\u00f3rios dos grupos sociais de MT. No acirramento das disputas das rela\u00e7\u00f5es de poder assim\u00e9tricas estabelecidas nestas esferas podemos compreender os conflitos socioambientais como um reflexo do modelo econ\u00f4mico impositivo vigente.<\/p><p>A gera\u00e7\u00e3o de energia por meio das hidrel\u00e9tricas ocupa 11,3% da matriz energ\u00e9tica de MT (SICME, 2008). Essa fonte de energia tem sido considerada uma alternativa energ\u00e9tica limpa (quando comparadas com as termel\u00e9tricas), no entanto, com frequ\u00eancia os empreendimentos hidrel\u00e9tricos t\u00eam se revelado insustent\u00e1veis do ponto de vista ambiental e social. Esses projetos n\u00e3o geram apenas energia, mas tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de efeitos perversos. Com o desenrolar do PAC as hidrel\u00e9tricas est\u00e3o pulverizando o territ\u00f3rio brasileiro, o governo prev\u00ea at\u00e9 2020 a constru\u00e7\u00e3o de 24 UHE. \u00a0Apenas para a regi\u00e3o da Grande Amaz\u00f4nia o governo apresentou 19 projetos e em MT um dos mais recentes empreendimentos, ainda em fase de constru\u00e7\u00e3o, \u00e9 a usina de Col\u00edder, situada no rio Teles Pires (ANEEL, 2011).<\/p><p>De acordo com Rossi (2011), o Estado de MT tem 148 PCH situadas nas bacias do Paraguai, Amaz\u00f4nica, Tocantins-Araguaia, sendo que: 54 est\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o; 33 em fase de implanta\u00e7\u00e3o; 25 aguardando in\u00edcio das obras; 27 em estudo; e, 9 com a constru\u00e7\u00e3o parada. Acumulamos em MT o t\u00edtulo de ser o segundo Estado brasileiro com maior quantidade de PCH (que produzem energia at\u00e9 30 megawatts). Para citar como exemplo, a Bacia do Paraguai, formadora do Pantanal, tem 24 pequenas hidrel\u00e9tricas em opera\u00e7\u00e3o.<\/p><p>A op\u00e7\u00e3o em gerar energia com pequenas centrais justifica-se pelas in\u00fameras vantagens legais para o licenciamento ambiental desse tipo de empreendimento, a principal delas \u00e9 a n\u00e3o necessidade de se realizar Estudos de Impactos Ambientais (EIA), o que \u00e9 exigido no caso de UHE, facilitando dessa forma a sua implanta\u00e7\u00e3o; esses fatores t\u00eam levado in\u00fameras empresas a optarem pela constru\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias PCH em s\u00e9rie, em vez de uma grande hidrel\u00e9trica. Entretanto, os impactos cumulativos provocados pela instala\u00e7\u00e3o de diversas PCH em um mesmo rio s\u00e3o, muitas vezes, t\u00e3o ou mais intensos que os gerados pelas UHE.<\/p><p>Causadores de grandes impactos ecol\u00f3gicos e sociais, como destrui\u00e7\u00e3o de habitats, extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, diminui\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es de peixes; ou ainda, por meio dos impactos sociais na \u00e1rea de alagamento e a jusante onde moradores dependem do ciclo natural das \u00e1guas para sobreviver (CASTRILLON et al., 2006). Com a instala\u00e7\u00e3o desses empreendimentos os grupos sociais atingidos n\u00e3o s\u00f3 perdem a base material da vida \u2013 o territ\u00f3rio, as condi\u00e7\u00f5es ambientais que favorecem o seu modo de produ\u00e7\u00e3o, perdem tamb\u00e9m a cultura, perdem o modus vivendi.<\/p><p>Para o ictiologista Lima (2009) as hidrel\u00e9tricas significam perdas inevit\u00e1veis de diversidade. Constru\u00ed-las, funciona como desmatar uma floresta. As esp\u00e9cies que ficam s\u00e3o apenas uma fra\u00e7\u00e3o das que foram dizimadas.\u00a0Em uma pesquisa desenvolvida no rio Culuene, na bacia do Xingu, o pesquisador afirma que foram encontrados 30 mil exemplares de peixes e ainda falta catalogar at\u00e9 seis novas esp\u00e9cies.<\/p><p>Nesse rio, distante a cerca de 50 km de aldeias da etnia Xavante, est\u00e1 instalada a PCH Paranatinga II, de aproximadamente 29 mil quilowatts, entre os munic\u00edpios de Paranatinga e Campin\u00e1polis. Essa PCH tem onerado significativamente o ecossistema local e a vida desse povo. No plano mais expl\u00edcito desses impactos observa-se uma maior depend\u00eancia dessa etnia dos peixes do rio Culuene uma vez que a ca\u00e7a est\u00e1 se tornando escassa. O local destinado \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica \u00e9 considerado sagrado para os \u00edndios, pois nele teria nascido o Quarup, a maior celebra\u00e7\u00e3o religiosa da tradi\u00e7\u00e3o Xingu, um ritual em homenagem aos seus mortos. Apesar de a\u00e7\u00f5es impetradas pela Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (FUNAI) e pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), a PCH entrou em opera\u00e7\u00e3o (CASTRILLON et al., 2006).<\/p><p>Al\u00e9m de causar in\u00fameros danos ambientais e sociais, a energia h\u00eddrica \u00e9 um forte bra\u00e7o do hidroneg\u00f3cio, o que significa dizer que est\u00e1 ancorada na proposta desenvolvimentista que visa o lucro imediato e n\u00e3o se compromete com os riscos associados \u00e0 instala\u00e7\u00e3o do empreendimento. H\u00e1 um grande ramo de empreiteiras, t\u00e9cnicos, ind\u00fastrias, empresas geradoras e distribuidoras de energia el\u00e9trica que se beneficiam com esse tipo de atividade. O discurso da necessidade de gerar energia ancora-se na pr\u00f3pria necessidade das grandes empresas destinadas \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o que s\u00e3o as grandes consumidoras da energia el\u00e9trica gerada no Pa\u00eds e em MT. Esses projetos est\u00e3o tamb\u00e9m vinculados ao agroneg\u00f3cio, pois, para viabilizar sua produ\u00e7\u00e3o faz-se necess\u00e1rio uma gama de investimentos em apoio log\u00edstico como rodovias e hidrovias, assim como na infraestrutura energ\u00e9tica.<\/p><p>Um local de intenso conflito na instala\u00e7\u00e3o de empreendimentos de energia h\u00eddrica \u00e9 o caso do Aproveitamento Hidroel\u00e9trico (AHE) Dardanelos, usina que produziria 261 MW atrav\u00e9s do aproveitamento do rio Aripuan\u00e3, na grande queda natural denominada Salto de Dardanelos. O rio Aripuan\u00e3 \u00e9 conhecido pela quantidade e diversidade de peixes e anf\u00edbios, al\u00e9m disso, pela beleza c\u00eanica de suas quedas d\u00e1gua como a cachoeira de Dardanelos e das Andorinhas. Mesmo com in\u00fameros questionamentos dos MPE e MPF, a Sema concedeu a licen\u00e7a ambiental, e, em meados de 2006, a AHE Dardanelos foi a leil\u00e3o. Essa AHE foi constru\u00edda sobre cemit\u00e9rio do povo Arara do Rio Branco, em por\u00e7\u00e3o que ficou fora da demarca\u00e7\u00e3o. Esta hidrel\u00e9trica atingiu este povo e o povo Cinta Larga, que habita a mesma regi\u00e3o.<\/p><p>A TI Kaybi \u00e9 palco de recentes conflitos socioambientais relacionados a esta quest\u00e3o, neste territ\u00f3rio um grupo de ind\u00edgenas das etnias Kayabi, Munduruku e Kayap\u00f3 mantiveram, no m\u00eas de outubro de 2011, dois funcion\u00e1rios da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) e cinco representantes da FUNAI ref\u00e9ns por quase uma semana na aldeia Kururuzinho; o protesto ocorreu por reivindica\u00e7\u00e3o junto ao governo federal para o andamento do processo de amplia\u00e7\u00e3o da TI Kayabi e a suspens\u00e3o da instala\u00e7\u00e3o da UHE S\u00e3o Manoel, que est\u00e1 prevista para ser constru\u00edda na divisa entre os Estados de MT e Par\u00e1, no rio Teles Pires, que ir\u00e1 afetar as etnias Kayabi e Munduruku.<\/p><p>A pauta mais requerida pelos ind\u00edgenas era o di\u00e1logo, sempre negado e negligenciado pelos tomadores de decis\u00e3o. Conforme assinala Freire (1987, p. 92), dizer a palavra &#8211; (di\u00e1logo) \u00e9 um direito de todos os homens. O di\u00e1logo \u00e9 o caminho pelo qual os homens ganham significa\u00e7\u00e3o enquanto homens. Esse acontecimento elucida como a incapacidade de di\u00e1logo das esferas p\u00fablicas, somada \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o de projetos de interesses desenvolvimentistas contribui para que grupos sociais se percebam alijados dos processos, induzindo a situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas e conflituosas como essa.<\/p><p>A insubordina\u00e7\u00e3o dos grupos sociais \u00e0 mercantiliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o das \u00e1guas vem se tornando cada vez mais frequentes em MT, entretanto, s\u00e3o engolidas e tragadas pela truculenta e antidemocr\u00e1tica forma que os projetos s\u00e3o conduzidos, como constatado no caso citado acima encarados pelo povo ind\u00edgena Kayabi. A instala\u00e7\u00e3o desses empreendimentos, sem a consulta aos povos ind\u00edgenas, trai o direito estabelecido pela Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio.<\/p><p>A espolia\u00e7\u00e3o vivida pela etnia Enawene-nawe, \u00e9 outro lastim\u00e1vel exemplo do funcionamento do hidroneg\u00f3cio, encarando um forte conflito contra a instala\u00e7\u00e3o do Complexo Hidrel\u00e9trico do Juruena (denomina\u00e7\u00e3o dada a uma sequ\u00eancia de usinas hidrel\u00e9tricas e pequenas centrais hidrel\u00e9tricas previstas para serem implantadas) em pontos localizados entre as cabeceiras do rio Juruena e sua conflu\u00eancia com o rio Ju\u00edna, numa extens\u00e3o de 287,05 Km. \u00a0\u00a0Este complexo vem sendo instalado sem a consulta e a concord\u00e2ncia deste povo que depende totalmente do rio Juruena que abastece toda a TI Enawene-nawe, comprometendo o ambiente e o modo de vida desta etnia, que tem 90% da base de sua alimenta\u00e7\u00e3o composta por peixe. A antrop\u00f3loga Almeida (2011) assevera que o Ya\u00f5kwa, cerimonial ind\u00edgena do povo Enawene Nawe reconhecido como Patrim\u00f4nio Imaterial da Cultura Brasileira, est\u00e1 comprometido com a instala\u00e7\u00e3o deste empreendimento, pois o cerimonial \u00e9 completamente associado \u00e0 pesca.<\/p><p>Desde 2009, os Enawene Nawe est\u00e3o sofrendo com a baixa pesqueira no rio Juruena. Suas pescarias tradicionais t\u00eam obtido um resultado muito aqu\u00e9m das grandes quantidades de pescado obtidas anualmente por este povo, antes do in\u00edcio das obras do Complexo Juruena.<\/p><p>Nas \u00faltimas pescarias o peixe n\u00e3o tem vindo, e sem condi\u00e7\u00f5es para obter o recurso pesqueiro atrav\u00e9s das t\u00e9cnicas tradicionais, os Enawene Nawe t\u00eam sido obrigados a comprar peixe de tanque para suprir a demanda alimentar do seu povo, situa\u00e7\u00e3o que gera depend\u00eancia, posto que para comprar o peixe s\u00e3o necess\u00e1rias altas quantias de recursos financeiros, e inseguran\u00e7a alimentar, j\u00e1 que o modo de subsist\u00eancia dessa popula\u00e7\u00e3o ficou amea\u00e7ado com a diminui\u00e7\u00e3o do pescado no Juruena (ALMEIDA, 2009, p. 30).<\/p><p>\u00a0O MPF instaurou um procedimento administrativo para verificar as circunst\u00e2ncias do licenciamento ambiental deste complexo hidrel\u00e9trico. \u00a0As a\u00e7\u00f5es do MPF no sentido de barrar as constru\u00e7\u00f5es destas centrais, seja pela aus\u00eancia de estudos detalhados sobre os impactos, seja pelos preju\u00edzos que estas causariam para os povos ind\u00edgenas da regi\u00e3o, foram derrubadas pelo Supremo Tribunal Federal, que alegou interesse p\u00fablico. Algumas destas centrais s\u00e3o, em 2011, objeto de uma Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito na AL-MT, que apura as licen\u00e7as ambientais concedidas ao grupo empresarial do ent\u00e3o governador Blairo Maggi, que hoje ocupa uma cadeira no Senado Federal. No entanto, recentemente, esta comiss\u00e3o foi encerrada sem apresentar os devidos esclarecimentos pelo qual ela foi formada.<\/p><p>\u00a0A UHE Manso \u00e9 outro exemplo emblem\u00e1tico dos conflitos que engendram a luta pelo territ\u00f3rio e pela \u00e1gua. Localizada no munic\u00edpio de Chapada dos Guimar\u00e3es, sendo instalada no rio Manso &#8211; principal afluente do rio Cuiab\u00e1 (LEROY, 2005). Este \u00e9 um empreendimento da empresa estatal Furnas Centrais El\u00e9tricas S\/A, com o represamento foi formado um lago de 427 km2. Apesar do grande reservat\u00f3rio, segundo dados de Furnas, a usina tem capacidade de gera\u00e7\u00e3o de at\u00e9 212 megawats (MW), no entanto, ela produz de forma fixa apenas 97 MW de energia, ou o equivalente a tr\u00eas PCH com represamento de at\u00e9 cem vezes menor. Os impactos ambientais produzidos pela barragem v\u00eam sendo denunciados por ecologistas e pesquisadores desde a constru\u00e7\u00e3o da obra, tanto pelas mudan\u00e7as no sistema de inunda\u00e7\u00e3o do Pantanal, quanto pela destrui\u00e7\u00e3o de habitats, extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e diminui\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es de peixe.<\/p><p>A regi\u00e3o alagada era ocupada, predominantemente, por agricultores familiares, que desde o s\u00e9culo XIX, desenvolveram na regi\u00e3o formas tradicionais de produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e reprodu\u00e7\u00e3o sociocultural, conformadas pelas caracter\u00edsticas naturais do territ\u00f3rio (LEROY, 2005). A UHE Manso atingiu 1.065 fam\u00edlias, de 18 comunidades, sendo que apenas 422 foram indenizadas e\/ou inclu\u00eddas no plano de mitiga\u00e7\u00e3o (MAB, 2005). As popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas atingidas pelas obras foram desconsideradas frente \u00e0 perspectiva do lucro desta mega obra. A perda irrevers\u00edvel de seus territ\u00f3rios e de suas \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o social acarretou em v\u00e1rios problemas sociais.<\/p><p>As narrativas dos atingidos pela barragem do MAB, presentes no semin\u00e1rio, afirmam que a popula\u00e7\u00e3o foi retirada das \u00e1reas \u00famidas do vale para ser reassentada \u00a0no Cerrado, em terrenos constitu\u00eddos por 90% de areia, sem nenhuma considera\u00e7\u00e3o por seu modo tradicional\u00a0 de vida. Outros problemas relatados foram a falta de qualidade de vida, o tamanho dos reassentamentos e a falta de \u00e1gua pot\u00e1vel. Ainda em 2001, apenas algumas fam\u00edlias conseguiram ser reassentadas e poucas, atualmente, conseguem produzir alimentos.<\/p><p>A domina\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios e de seus bens naturais (as florestas, as \u00e1guas, as \u00e1reas de cultivo) busca a qualquer custo exterminar a identidade sociocultural, tentando fazer desses grupos uma massa que tende \u00e0 uniformidade, desenraizada de sua hist\u00f3ria e de seu territ\u00f3rio, sem perspectiv (LEROY, 2010, p. 31). Entretanto, esta domina\u00e7\u00e3o encontra a insubordina\u00e7\u00e3o desses grupos, que apostam no enfrentamento e na resist\u00eancia como uma maneira de continuar vivendo com dignidade.<\/p><p>Al\u00e9m das amea\u00e7as frente \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es desse bem p\u00fablico, as \u00e1guas neste Estado tamb\u00e9m enfrentam o descaso em rela\u00e7\u00e3o a lan\u00e7amento de efluentes, assim como no assoreamento dos rios provocado principalmente pelo desmatamento das matas rip\u00e1rias. O assoreamento dos rios \u00e9 ainda provocado pelas barca\u00e7as que seguem pelos rios degradando as APP. S\u00e3o considerados graves os impactos ambientais que afetam a qualidade do ambiente e da vida social dos grupos sociais mato-grossenses. Essa parece ser uma realidade que afeta muitos munic\u00edpios brasileiros. De acordo com o IBGE (2002), a causa mais apontada por 53% dos gestores dos 5.560 munic\u00edpios do Brasil como a que mais afetava o meio ambiente municipal, \u00e9 o assoreamento.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>A contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas por lan\u00e7amento de efluentes qu\u00edmicos e org\u00e2nicos \u00e9 mais uma das severas inquieta\u00e7\u00f5es dos grupos sociais de MT. \u00a0De acordo com a SEMA (2009), no PERH-MT, dos 141 munic\u00edpios apenas 16 possuem algum tipo de tratamento dos efluentes sanit\u00e1rios.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>Segundo Lacerda e Malm (2008, p. 173), podemos dividir os poluentes que mais causam danos aos ecossistemas aqu\u00e1ticos em dois grandes grupos. O primeiro inclui subst\u00e2ncias presentes nos efluentes associados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o impr\u00f3pria de res\u00edduos s\u00f3lidos (lixo) e ao tratamento inadequado ou inexistente de esgoto sanit\u00e1rio. O segundo grupo, composto pelos poluentes de origem industrial e da minera\u00e7\u00e3o, inclui subst\u00e2ncias t\u00f3xicas, como metais, gases de efeito estufa e poluentes org\u00e2nicos.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>As narrativas feitas durante os mapeamentos \u00a0enfatizam que o Pantanal \u00e9 o bioma mais atingido por esse tipo de contamina\u00e7\u00e3o. Pois, como j\u00e1 abordado, este bioma recebe uma grande quantidade de material s\u00f3lido das \u00e1reas de planalto, al\u00e9m disso, torna-se recept\u00e1culo de res\u00edduos como agrot\u00f3xicos, merc\u00fario, vinhoto e outros res\u00edduos contaminantes. Nesse cen\u00e1rio, podemos citar como um exemplo dos impactos socioambientais advindos da contamina\u00e7\u00e3o dos rios a comunidade pantaneira de S\u00e3o Pedro de Josel\u00e2ndia, um dos l\u00f3cus de investiga\u00e7\u00e3o emp\u00edrica desta pesquisa.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a89e38f e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"a89e38f\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-58565fd elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"58565fd\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/mapasocialmt.org.br\/mapa\/#conflito=disputaporagua\" target=\"_blank\">\n\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"517\" height=\"458\" src=\"https:\/\/mapasocialmt.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Conflito-Disputa-por-agua.jpg\" class=\"attachment-full size-full wp-image-921\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mapasocialmt.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Conflito-Disputa-por-agua.jpg 517w, https:\/\/mapasocialmt.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Conflito-Disputa-por-agua-300x266.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 517px) 100vw, 517px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-55eb554 elementor-widget elementor-widget-button\" data-id=\"55eb554\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"button.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a class=\"elementor-button elementor-button-link elementor-size-sm\" href=\"https:\/\/mapasocialmt.org.br\/mapa\/#conflito=disputaporagua\" target=\"_blank\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-button-content-wrapper\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-button-text\">Mapa completo<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-f0839ff elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"f0839ff\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Refer\u00eancia: SILVA, Regina Aparecida da. Do invis\u00edvel ao vis\u00edvel: o mapeamento dos grupos sociais do estado de Mato Grosso &#8211; Brasil. S\u00e3o Carlos: UFscar, 2011.<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disputa por \u00c1gua A \u00e1gua n\u00e3o ser\u00e1 a raz\u00e3o das guerras futuras,\u00a0mas, sim, est\u00e1 sendo objeto de uma guerra atual. 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